A história do Airbnb: dos colchões de ar ao gigante da hospedagem — e como ele chegou ao Brasil - Parte 1

Hoje parece natural abrir um aplicativo, escolher um apartamento em outra cidade e receber o código da fechadura no celular. Mas essa ideia nasceu de um problema bem comum: dois jovens que não tinham dinheiro para pagar o aluguel. Nesta primeira parte da nossa série sobre o Airbnb, contamos como tudo começou, os momentos em que a empresa quase acabou e como ela chegou ao Brasil.
San Francisco, 2007: um aluguel atrasado e três colchões de ar
Brian Chesky e Joe Gebbia eram designers e dividiam um apartamento em San Francisco. Em outubro de 2007, a cidade recebeu uma grande conferência de design, e os quartos de hotel ficaram escassos e caríssimos.
A dupla teve uma ideia simples: encheu três colchões de ar na sala, montou um site básico e ofereceu aos visitantes uma cama e café da manhã. Nascia o AirBed & Breakfast, literalmente "colchão de ar e café da manhã". Cada hóspede pagou cerca de US$ 80 pela noite.
Logo depois, Nathan Blecharczyk, ex-colega de apartamento de Gebbia, entrou no projeto para construir a plataforma. Os três se tornaram os cofundadores da empresa.
2008: o ano em que o Airbnb quase acabou (e virou caixa de cereal)
O começo foi duro. Os fundadores apresentaram a ideia a cerca de 15 investidores-anjo, e nenhum quis apostar. A maioria achava estranho alguém dormir na casa de um desconhecido.
Sem dinheiro e vivendo no cartão de crédito, eles recorreram à criatividade. Em plena eleição presidencial americana, criaram caixas de cereal temáticas, as "Obama O's" e as "Cap'n McCain's", vendidas a US$ 40 cada. A brincadeira rendeu cerca de US$ 30 mil e manteve a empresa viva.
2009: Y Combinator, câmera na mão e um novo nome
Foi justamente a história do cereal que convenceu Paul Graham, fundador da Y Combinator, uma das aceleradoras de startups mais prestigiadas do mundo. A empresa entrou na turma de janeiro de 2009.
Nessa fase veio uma lição famosa: as reservas em Nova York não decolavam. Os fundadores foram até lá, visitaram os anúncios e perceberam que as fotos eram ruins. Pegaram a câmera e fotografaram os apartamentos eles mesmos. As reservas subiram. Para o mercado imobiliário, é uma lição que vale até hoje: apresentação vende imóvel.
Em março de 2009, o nome encurtou para Airbnb. No mês seguinte, chegou o primeiro grande investimento, de US$ 600 mil, da Sequoia Capital.
De startup a marca global
O crescimento foi rápido. Em 2011, apenas quatro anos depois dos primeiros hóspedes, o Airbnb já estava em 89 países, havia passado de 1 milhão de reservas e era avaliado em mais de US$ 1 bilhão.
Em julho de 2014, a empresa mudou de identidade. Ganhou o slogan "Belong Anywhere" ("Pertença a qualquer lugar") e o logotipo atual, batizado de Bélo. O símbolo foi pensado para lembrar ao mesmo tempo um coração, um pino de localização e a letra "A", representando pessoas, lugares, amor e o próprio Airbnb.
Em 2016, a plataforma deixou de ser só hospedagem e lançou as Experiências: passeios, aulas e atividades conduzidos por moradores locais.
2020: a pandemia e a estreia na bolsa
Quando a pandemia começou, o negócio praticamente parou. Em maio de 2020, o Airbnb demitiu cerca de 1.900 funcionários, um quarto da equipe, e tomou US$ 2 bilhões em empréstimos para atravessar a crise.
A virada veio rápido. Com as pessoas evitando hotéis e trabalhando de qualquer lugar, as estadias em casas perto da natureza e fora dos grandes centros cresceram. Em 10 de dezembro de 2020, o Airbnb estreou na bolsa Nasdaq. As ações, precificadas em US$ 68, fecharam o primeiro dia a US$ 144,71, mais que o dobro. No lugar do tradicional toque do sino, a empresa exibiu anfitriões do mundo todo tocando a campainha de casa.
Hoje: muito além da hospedagem
Em maio de 2025, o Airbnb lançou um aplicativo totalmente redesenhado e passou a oferecer Serviços durante a estadia, como chef particular, massagem e personal trainer, além de relançar as Experiências. A ideia é competir com os hotéis também naquilo que sempre foi a vantagem deles: o serviço.
Segundo a própria empresa, são hoje mais de 5,5 milhões de anfitriões, mais de 9 milhões de anúncios ativos e mais de 2,5 bilhões de chegadas de hóspedes desde 2007. Tudo isso a partir de três colchões de ar.
A história do Airbnb, chegada ao Brasil
O Airbnb começou a operar oficialmente no Brasil em 2012, com cerca de 3.500 anúncios. Curiosamente, a demanda já existia antes: segundo a empresa, o Rio de Janeiro já tinha milhares de imóveis cadastrados recebendo hóspedes estrangeiros antes mesmo da abertura do escritório.
O grande impulso veio com os megaeventos. Na Copa do Mundo de 2014, mais de 100 mil viajantes internacionais se hospedaram em imóveis do Airbnb no Rio. Em março de 2015, a empresa foi anunciada como fornecedora oficial de hospedagem alternativa dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Na época, o país já somava cerca de 45 mil anúncios, quase metade deles no Rio, que havia se tornado o quarto maior mercado do mundo na plataforma, atrás apenas de Paris, Nova York e Londres.
E Curitiba já aparecia na história: entre os brasileiros que reservaram hospedagem no Rio para as Olimpíadas, os curitibanos estavam entre os principais grupos, ao lado de paulistas, brasilienses, gaúchos e florianopolitanos.
Em 2016, o Airbnb inaugurou um novo escritório em São Paulo, na Vila Madalena, e já estava presente em mais de 600 cidades, em todos os estados brasileiros.
Linha do tempo
Ano | Marco |
2025 | Novo aplicativo, lançamento dos Serviços e relançamento das Experiências |
2020 | Pandemia, 1.900 demissões e estreia na Nasdaq com ações dobrando no primeiro dia |
2016 | Lançamento das Experiências; Rio 2016 com o Airbnb como fornecedor oficial |
2014 | Novo logo (Bélo) e slogan "Belong Anywhere"; Copa do Mundo no Brasil |
2012 | Início oficial da operação no Brasil, com 3.500 anúncios |
2011 | Presente em 89 países, 1 milhão de reservas e valor acima de US$ 1 bilhão |
2009 | Entrada na Y Combinator e mudança de nome para Airbnb |
2008 | Caixas de cereal Obama O's e Cap'n McCain's mantêm a empresa viva |
2007 | Três colchões de ar em San Francisco: nasce o AirBed & Breakfast |
E agora?
O Airbnb mudou a forma como viajamos e também a forma como muita gente enxerga um imóvel: não só como lugar para morar, mas como fonte de renda. Na Parte 2 desta série, vamos olhar para o mercado atual no mundo, no Brasil e, principalmente, aqui em Curitiba: quais bairros concentram mais anúncios, quem se hospeda na cidade e quanto rende uma diária por aqui.
Continue acompanhando a série aqui no blog e no Instagram @morar.bem.curitiba.





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