Airbnb em números: o mercado no mundo, no Brasil e em Curitiba

Na Parte 1 desta série, contamos como três colchões de ar em San Francisco viraram uma das maiores empresas de viagem do mundo. Agora a pergunta é outra: qual o tamanho desse mercado hoje? Nesta parte, olhamos os números em três escalas, do mundo ao Brasil, até chegar aqui em Curitiba, onde o aluguel por temporada cresceu muito no último ano.
No mundo: maior do que muitas redes de hotel
Segundo a própria empresa, o Airbnb reúne hoje mais de 5,5 milhões de anfitriões e mais de 9 milhões de anúncios ativos, em praticamente todos os países. Desde 2007, foram mais de 2,5 bilhões de chegadas de hóspedes.
O negócio segue crescendo. No segundo trimestre de 2026 (abril a junho), a receita foi de US$ 3,6 bilhões, alta de 17% sobre o mesmo período de 2025. O valor total das reservas feitas na plataforma chegou a US$ 27,2 bilhões no trimestre, e o lucro líquido foi de US$ 816 milhões. Para o ano todo, a empresa projeta crescimento de receita de pelo menos 15%.
Indicador (2º tri 2026) | Valor | Variação em 1 ano |
Receita | US$ 3,6 bilhões | +17% |
Valor total das reservas | US$ 27,2 bilhões | +16% |
Noites e vagas reservadas | — | +10% |
Lucro líquido | US$ 816 milhões | — |
A empresa também está indo além da hospedagem. Desde 2025, o aplicativo vende Serviços (chef particular, massagem, personal trainer) e Experiências conduzidas por moradores locais, cuja oferta cresceu quase 80% em um ano. A ideia é competir com os hotéis também no serviço, e não só no preço. Para o Brasil, um detalhe recente chama atenção: hóspedes brasileiros já podem parcelar reservas sem juros.
No Brasil: R$ 113 bilhões movimentados em um ano
O estudo mais recente sobre o tema, feito pela FGV com dados de 2025, mostra que a atividade ligada ao Airbnb movimentou R$ 113,2 bilhões na economia brasileira, alta de 13,4% em relação a 2024. Esse valor soma o efeito direto (R$ 68,5 bilhões) e o indireto, que se espalha por fornecedores e outros setores (R$ 44,7 bilhões).
O dado mais interessante está em onde esse dinheiro vai parar. Segundo o estudo, 85% do impacto vem do gasto dos hóspedes fora da hospedagem: restaurantes, comércio, transporte e lazer. Para cada R$ 10 gastos com estadia, os hóspedes gastam outros R$ 45,48 na cidade. Em outras palavras, quem se hospeda num apartamento também almoça no bairro, vai à padaria e compra no comércio local.
Brasil, 2025 | Valor |
Impacto econômico total | R$ 113,2 bilhões |
Contribuição ao PIB | R$ 62,8 bilhões |
Empregos sustentados | 703,9 mil |
Renda gerada | R$ 31,7 bilhões |
Impostos diretos | R$ 9 bilhões |
O Sudeste concentra 54,3% do impacto, mas o Sul vem em segundo lugar, com 23,3%, à frente do Nordeste (16%). Entre as cidades, o Rio de Janeiro lidera (R$ 12 bilhões), seguido de São Paulo (R$ 11,7 bilhões) e Florianópolis (R$ 5,1 bilhões). Brasília foi a que mais cresceu, 27,1% em um ano.
Curitiba em destaque
Curitiba entrou de vez nesse mapa. Segundo o mesmo estudo da FGV, o Airbnb movimentou R$ 2,12 bilhões na economia da cidade em 2025, alta de 15,5% sobre o ano anterior. São cerca de 13 mil empregos sustentados e R$ 189 milhões em impostos diretos.
Quantos anúncios existem? Em outubro de 2026, a cidade tinha cerca de 5.800 anúncios ativos, segundo a Airbtics, empresa que monitora o mercado de aluguel por temporada. É um salto de 68% em apenas um ano.
Quanto rende? Nos 12 meses até agosto de 2026, a diária média ficou em R$ 219 (alta de 19%) e a ocupação mediana em 59%. Na prática, um anúncio típico faturou cerca de R$ 50 mil no ano, antes de descontar condomínio, limpeza, taxas e gestão. Os studios são os que mais ficam ocupados, com 64%.
Há um sinal importante nesses números: a oferta cresceu mais rápido que a procura. Enquanto os anúncios aumentaram 68%, a ocupação caiu cerca de 8%. A diária mais alta compensou, mas o mercado ficou mais disputado, e escolher bem o imóvel passou a fazer mais diferença.
Onde estão os anúncios? A concentração é forte na região central. Centro, Água Verde e Batel somam mais de 4 mil anúncios.
Bairro | Anúncios ativos | Diária média |
Centro | 3.354 | R$ 214 |
Água Verde | 602 | R$ 214 |
Batel | 476 | R$ 229 |
Juvevê | 79 | R$ 178 |
Santa Felicidade | 33 | R$ 132 |
A contagem por bairro segue a divisão usada pela Airbtics, que pode agrupar bairros vizinhos ao Centro.
Quem se hospeda em Curitiba? Diferente de destinos de praia, a cidade tem uma demanda muito ligada ao dia a dia. Gestores locais ouvidos pelo Bem Paraná apontam que cerca de 60% dos hóspedes são pessoas que conseguiram emprego ou passaram em concurso e precisam de um tempo para se estabelecer. Também pesam estrangeiros a trabalho ou intercâmbio, quem vem para eventos e quem acompanha familiares em tratamento nos hospitais da cidade.
Os eventos ajudam muito. O calendário municipal projeta 406 eventos em 2026, entre congressos, feiras e shows. E o Natal de Curitiba, com previsão de 2,5 milhões de visitantes na edição de 2025, reforça o fim de ano.
Quando a procura é maior? A sazonalidade é moderada. O pico costuma ser em novembro, e os meses mais fracos são março e agosto. Isso torna Curitiba menos dependente de alta temporada do que cidades litorâneas.
O outro lado da moeda
Os números mostram um mercado grande e em expansão, no mundo, no Brasil e em Curitiba. Mas crescimento rápido também traz conflitos: cidades que limitam o aluguel por temporada, condomínios que proíbem a prática e o debate sobre o efeito da plataforma no preço dos aluguéis.
Na Parte 3 desta série, vamos olhar para esse outro lado: as polêmicas, as regras que estão mudando no Brasil e no mundo e o que a gentrificação tem a ver com tudo isso.
Continue acompanhando a série aqui no blog e no Instagram @morar.bem.curitiba.
Os dados de mercado de Curitiba são estimativas de empresas independentes de monitoramento e podem variar conforme a fonte e o período analisado.
Fontes
Airbnb Newsroom — Resultados do 2º trimestre de 2026 (receita, reservas, lucro e projeções)
Airbnb Newsroom — About us (anfitriões, anúncios e chegadas de hóspedes)
FGV — Relatório de impacto econômico do Airbnb no Brasil, dados de 2025 (Brasil, regiões, cidades e Curitiba)
Airbtics — Receita do Airbnb em Curitiba (anúncios, diária, ocupação, bairros e sazonalidade, consultado em outubro de 2026)
Bem Paraná — Centenas de eventos impulsionam locações de curta duração em Curitiba (perfil dos hóspedes, eventos e bairros, maio de 2026)





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